Um projeto imobiliário mobiliza várias dezenas de milhares de euros e compromete por anos. Antes de procurar um imóvel ou assinar um mandato, três parâmetros merecem uma análise precisa: o custo real de aquisição (que varia conforme o departamento e o tipo de imóvel), a performance energética do imóvel visado e a margem de negociação que o mercado atualmente concede aos compradores.
Taxas de aquisição imobiliária: diferenças entre novo e antigo conforme o departamento
Os concorrentes listam as taxas de notário em uma linha. A realidade é mais granular desde a lei de finanças para 2025, que permitiu aos departamentos aumentar sua parte dos direitos de transferência até 30 de abril de 2028.
| Item | Aquisição de imóvel novo | Aquisição de imóvel antigo |
|---|---|---|
| Direitos de transferência (parte do departamento) | Reduzidos (cerca de 0,7 %) | Variável, aumentada na maioria dos departamentos |
| Estimativa global das taxas | 2 a 3 % do preço | 7 a 8 % do preço, ou até mais localmente |
| Confiabilidade de uma estimativa online | Correta | Insuficiente sem simulação notarial localizada |
Na maioria dos departamentos, a possibilidade de aumento foi utilizada. Um comprador que confia em um simulador nacional subestima, portanto, potencialmente suas taxas em vários milhares de euros.
A simulação notarial localizada continua sendo a única ferramenta confiável para integrar esse item ao orçamento global. Essa etapa, frequentemente adiada, deve preceder qualquer oferta de compra.
Para aprofundar o assunto do orçamento e da montagem financeira, os conselhos imobiliários de Cécile Bricole detalham as etapas de preparação antes de se lançar em uma compra.

DPE e condomínio: duas verificações antes de comprar um apartamento
O diagnóstico de performance energética agora pesa sobre o preço, a possibilidade de alugar e o custo das futuras obras. Duas evoluções recentes mudam a situação para um comprador em 2026.
DPE coletivo obrigatório para condomínios de 50 unidades ou menos
Desde 1º de janeiro de 2026, os condomínios de 50 unidades ou menos cujo alvará de construção é anterior a 1º de janeiro de 2013 devem ter um DPE coletivo. O projeto do comprador deve integrar não apenas o estado do apartamento visitado, mas também o plano plurianual de obras e as chamadas de fundos potenciais votadas em assembleia geral.
Um apartamento classificado D em um condomínio cujo plano plurianual prevê isolamento externo representa um custo oculto que o único DPE individual não revela.
Coeficiente DPE modificado em 1º de janeiro de 2027
O coeficiente de conversão da eletricidade em energia primária passará de 1,9 para 1,7 em 1º de janeiro de 2027. Essa modificação técnica pode melhorar o rótulo de alguns imóveis aquecidos a eletricidade, sem nenhuma obra.
Para um proprietário vendedor, a consequência é direta: verificar se uma certidão DPE atualizada pode ser obtida antes de fixar um preço ou de iniciar uma reforma custosa. Para um comprador, um imóvel classificado E hoje pode passar a D amanhã, o que muda a negociação.
- Solicitar o DPE coletivo e o plano plurianual de obras antes de qualquer oferta em condomínio, não apenas o DPE individual
- Verificar a data do DPE existente: um diagnóstico realizado antes da evolução do coeficiente de 2027 pode ser mais desfavorável do que a realidade
- Quantificar o montante das chamadas de fundos previstas para os próximos três anos junto ao síndico

Marge de negociação sobre o preço imobiliário: o que o mercado permite em 2026
O mercado atual concede mais poder de negociação aos compradores do que nos anos anteriores. Essa margem não se distribui uniformemente.
Os imóveis renovados e as “passoires énergétiques” não se negociam da mesma forma. Em uma mesma cidade, dois mercados coexistem: aquele dos imóveis em conformidade, onde a demanda permanece forte, e aquele dos imóveis energeticamente ineficientes, onde os vendedores enfrentam um número reduzido de compradores solventes dispostos a financiar as obras.
Um comprador que mira um imóvel classificado F ou G tem um verdadeiro alavancagem de negociação, desde que apresente uma estimativa detalhada dos custos das obras de renovação energética. Sem esse documento, a negociação permanece abstrata e o vendedor não tem razão para conceder um desconto.
Empréstimo imobiliário e capacidade de endividamento: arbitrar entre preço e obras
O orçamento para obras deve ser integrado desde o pedido de empréstimo, não após a assinatura. Um envelope de obras subestimado cria um descompasso entre o montante emprestado e o custo real do projeto.
- Fazer um orçamento para as obras antes da negociação do preço, não após o compromisso
- Incluir o custo dos diagnósticos complementares (amianto, chumbo, eletricidade) no orçamento previsto
- Verificar se o imóvel visado é elegível para um dispositivo de ajuda à renovação, o que altera o restante a pagar e, portanto, a capacidade de endividamento
- Comparar o custo total (preço + obras + taxas) de um imóvel a ser renovado com o de um imóvel em conformidade na mesma área
Diagnósticos imobiliários obrigatórios: o verdadeiro filtro antes de uma oferta de compra
Os diagnósticos não servem apenas para cumprir uma obrigação legal. Eles constituem a primeira ferramenta de análise para um comprador que deseja evitar surpresas desagradáveis.
Um dossiê de diagnósticos incompleto ou desatualizado é um sinal de alerta. Se o vendedor não fornecer espontaneamente o DPE coletivo, o livro de manutenção do condomínio ou o estado das instalações elétricas, a prudência se impõe.
O preço exibido de um imóvel não reflete seu valor real enquanto os diagnósticos não tiverem sido analisados. Um apartamento a um preço atrativo cujo diagnóstico elétrico revela uma instalação não conforme pode custar vários milhares de euros para adequação, absorvendo toda a aparente desvalorização.
A informação a ser retida para qualquer projeto imobiliário em 2026 permanece esta: as taxas reais variam fortemente conforme o departamento e o tipo de imóvel, e apenas uma simulação localizada permite comparar duas opções com uma base confiável.



